Takkyu Volley: um esporte inclusivo
- Beatriz Palmeira e Sofia Azenha
- 21 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
Modalidade pode ser praticada, em conjunto, por crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência

Por: Beatriz Palmeira e Sofia Azenha
O jogo ocorre em uma mesa de ping pong com a rede levantada a 5cm de altura, com 12 jogadores sentados ao redor, seis de cada lado. Utilizam uma “raquete” nas mãos em formato de régua. A bolinha de ping pong tem um guizo, para que pessoas com deficiência visual consigam se localizar. O jogo acaba em uma partida de melhor de três, com 15 pontos em cada set. Essas são as regras Takkyu Volley, uma modalidade única e cativante que nasce do cruzamento entre o tênis de mesa e o voleibol.
Com raízes no Japão, o esporte nasceu por iniciativa do professor Yuji Horikawa de incluir uma aluna com distrofia muscular nas atividades esportivas de uma escola em Osaka. Hoje em dia Horikawa viaja a vários lugares do mundo para difundir o esporte, que conquista cada vez mais adeptos e desafia os limites da habilidade atlética e da precisão técnica.
O Takkyu Volley é considerado um esporte universal, segundo a estudante de educação física da Unesp-Bauru, Isabela Visoni. Isso porque pode ser praticado, em conjunto, por crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência “O termo universal é para que se entenda que não é um jogo paradesportivo, é um jogo onde pessoas com e sem deficiência podem jogar juntos”, explica Isabela, que realiza pesquisa sobre o tema.
A estudante conta que, desde os tempos de ensino médio, destacou-se no tênis de mesa, participando de campeonatos escolares até competições regionais e nacionais. Ela encontrou no esporte não apenas uma paixão, mas também um refúgio. "Sempre me senti acolhida pelo tênis de mesa, ao contrário de outras modalidades em que me sentia excluída", diz.
Isabela iniciou um movimento para introduzir a prática do tênis de mesa na Unesp, ela queria criar um projeto para que os estudantes pudessem praticar o esporte durante o intervalo das aulas. “Ao entrar no curso, percebi que não havia disciplinas externas para esportes de rede e raquete, como o tênis de mesa”, explicou a entrevistada. Em 2023, uma professora de educação física da escola em que trabalhava apresentou o Takkyu Volley para Isabela. Ela ficou tão interessada pela modalidade que resolveu se inscrever em uma capacitação sobre o esporte em São Paulo. Depois disso, deu início a sua pesquisa que busca fomentar a introdução do esporte na universidade.
Reconhecido como esporte no Japão, o Takkyu Volley ainda enfrenta desafios para alcançar este status no Brasil. “Faltam estruturas e regulamentações específicas aqui”, diz Isabela. No entanto, ela vê potencial para o esporte crescer, especialmente no contexto educacional, com investimento em recursos materiais adequados, como as mesas utilizadas nas partidas.
“Acredito que o esporte tem um papel crucial na promoção da inclusão e na quebra de barreiras”, afirmou Isabela. Ela enfatiza a importância de oferecer oportunidades iguais para todos os estudantes, independentemente de suas habilidades físicas. “Quando jogamos, não estamos apenas competindo, estamos aprendendo cooperação, respeito e solidariedade”, explicou.
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