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Lutando pelo esporte

  • Pedro Freire
  • 11 de jun. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 17 de jun. de 2024

Entidades da sociedade civil de Bauru mantém projetos de inclusão por meio do esporte, mas enfrentam desafios 

Ilustração baseada em fotografia no projeto ABECE do Esporte (por Pedro Freire)


Por Pedro Freire


No bairro Bela Olinda, ao norte de Bauru, às 18 horas das terças e quintas feiras, começam as aulas de kickboxing do projeto mantido pela Associação Bauruense de Esporte, Cultura e Educação (ABECE)  no Lar Escola Rafael Maurício. Em um ambiente abafado, mas acolhedor, crianças e jovens são instruídos a aquecerem seus corpos. Todos pegam cordas para pular, os menores tropeçam e até caem. Ainda assim, sorriem, e fazem as cordas baterem no tatame. As conversas entre elas preenchem o espaço. Os mais velhos desafiam-se pulando corda com altas velocidades e diferentes padrões, competindo entre si  em busca da melhor performance e da possibilidade de aqueles saltos renderem a eles um outro futuro.


Durante as aulas, diferentes atividades de condicionamento físico são implementadas junto a atividades lúdicas e treinos de combate. Sempre em clima descontraído, os alunos tentam superar uns aos outros em pequenas rivalidades. Com diferentes dinâmicas, o tempo rapidamente passa, em meio a golpes e movimentos.


O projeto ABECE foi fundado há mais de 10 anos e hoje conta com múltiplas atividades,  como o jiu-jitsu, o xadrez e o ciclismo. Outras instituições em Bauru, como a Fundação Toledo (Fundato) ou a ABDA (Associação Bauruense de Desportos Aquáticos), também abrem  possibilidades para  alunos se tornarem atletas e, assim, terem a perspectiva de construir uma carreira que permitirá  ascensão social.


Segundo a  psicóloga da Fundato, Karina Prado, as ações possibilitam a integração de pessoas segregadas ou em condição de vulnerabilidade social . O  professor Acácio Will também destaca o papel social da prática esportiva na vida de jovens: “Hoje temos aqui, por exemplo, 20 crianças que não estão nas ruas usando drogas, vendendo, ou perto de pessoas que usam. Elas passarem o tempo aqui é melhor, mesmo conversando, do que lá na rua sofrendo influênciais”.


O projeto  conta com doações para sobreviver, mas hoje depende fortemente do financiamento da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer de Bauru (Semel), e tem suas atividades  limitadas pela falta de recursos, segundo os entrevistados. 


Na cidade, esse não é  o único projeto que oferece aulas gratuitas para a população. Existem múltiplas iniciativas que, inclusive, se especializam em atender grupos específicos, como idosos e integrantes de comunidades, a exemplo das atividades oferecidas pela Associação da Terceira Idade de Bauru ou pela Associação Desportiva Leões do Ringue.


Editais


O investimento da Semel  ocorre através de editais/chamamentos que convocam organizações da sociedade civil para  concorrerem a recursos  do Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo. Os projetos são avaliados em diversos elementos como, por exemplo, a contribuição  para sociedade, o perfil de pessoas atendidas (grupos de comunidades, idosos etc) e o estímulo ao paradesporto.


Neste ano, os recursos destinados via secretaria a projetos desta natureza vão totalizar R$2 milhões de reais, segundo dados divulgados no site da Semel. Esses recursos serão distribuídos entre 23 entidades em 34 projetos divididos em quatro  grupos:  o da “melhor idade”, o de paradesporto, o de desportos principais e a categoria   “outras modalidades”. Os recursos da secretaria, no entanto, não acomodam todas as necessidades das entidades consultadas pela reportagem.  


O financiamento da prefeitura  disponibiliza valores fixos  aos projetos. Em 2024,  no grupo de desportos principais, estão previstos no edital  18 projetos na cidade que atuam em 15 modalidades diferentes, como basquete, natação, atletismo e handebol. A verba destinada a esses projetos   é de R$ 83  mil reais. As  demais categorias (paraesporte, esporte voltado à terceira idade e outros desportos) variam de valores de 20 mil reais até 50 mil reais.


Para a aprovação, as entidades são avaliadas em oito critérios, incluindo número de vagas oferecidas pelo projeto, apoio ao paradesporto ou formação de paradesporto de rendimento. Além disso, os projetos ganham pontos por contemplarem modalidades específicas da Divisão de Lazer da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo (SELJ). Outros critérios incluem a frequência das aulas, clareza de metas e organização e experiência prévia com parcerias do tipo. Os editais são divulgados na própria página da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. .


Segundo Acácio Will, representante da ABECE, os editais são complexos, em relação ao rigor técnico de formatação e documentação exigida, e nem sempre os proponentes possuem o letramento necessário para atendê-los. “A gente bateu um pouco a cabeça para elaborar o projeto porque é uma coisa que precisa de um pouco de estudo”, afirmou Will, ressaltando as dificuldades de preenchimento.  


A reportagem tentou contato com a Semel para discutir as questões de financiamento, mas até o  fechamento da publicação não obteve resposta da pasta. 





 
 
 

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