top of page

Uma porta de entrada para o esporte

  • Kauê Nunes
  • 14 de jun. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 17 de jun. de 2024

Projeto Futebol Escola vai na contramão das escolinhas tradicionais ao dar enfoque na formação cidadã dos jovens atletas

O projeto “Futebol Escola” introduz o esporte na vida de crianças para que elas criem disciplina, respeito ao próximo. (Foto: arquivo pessoal/Kauê Nunes)

Por Kauê Nunes


Idealizado em 2007 pelo coordenador Júlio Wilson, o projeto “Futebol Escola” atende crianças e adolescentes de 6 a 14 anos com uma meta distinta das escolinhas de futsal convencionais. Em vez de explorar o esporte de forma mais competitiva, a iniciativa acolhe e ensina os jovens a darem seus primeiros passos no futsal.


Realizado aos sábados pela manhã, o projeto divide os pequenos em três categorias baseadas na faixa etária. Com treinamentos lúdicos e voltados para o público mais jovem, as crianças se divertem, ao passo que têm seu primeiro contato com o esporte. Além disso, o projeto contribui para a formação dos estudantes do curso de Educação Física, já que são eles os responsáveis pelos treinamentos e, em muitos casos, têm sua primeira experiência com uma atividade prática na faculdade.


Para Júlio Wilson, a disciplina é a palavra-chave para entender o trabalho realizado no Futebol Escola. “Nós focamos principalmente incentivando a disciplina das crianças. Trabalhamos muito com a cooperação, com as regras do jogo em si, já que muitos deles nunca tiveram contato com o futsal”, afirma. “Também temos muito cuidado com a agressividade desses jovens. Muitos veem a violência no futebol profissional como referência e querem repetir aqui. Então ensinamos que essa não é a maneira certa de praticar o esporte”, conclui o coordenador.


Mais do que uma porta de entrada para o esporte, o projeto também é responsável pelo desenvolvimento da coordenação motora dos pequenos que, como aponta Júlio, “é um fator cada vez menos presente nos jovens pela ausência de brincadeiras na rua e também pela diminuição nas aulas de educação física nas escolas”.


Um dos diferenciais do projeto é a participação mista, ou seja, meninos e meninas praticam futsal em conjunto, algo não muito comum em escolinhas de futebol ou futsal. Essa característica acaba por contribuir para a formação dos alunos enquanto cidadãos, em especial dos garotos, que desde cedo aprendem a frequentar esportivamente o mesmo espaço que as garotas e principalmente a respeitá-las.


Segundo o coordenador, há outros desafios enfrentados pela equipe, , como a evasão das crianças do projeto. Por estarem iniciando suas trajetórias na atividade física (alguns jovens até de maneira tardia),  é comum ver os alunos se frustrando ao longo dos treinamentos. O sentimento de insegurança e vergonha por não conseguir realizar um exercício considerado simples pode ser o suficiente para que os pequenos decidam abandonar a quadra.


É nesse momento que os monitores e familiares que estão presentes entram em ação. De forma sempre muito empática, é explicado para as crianças que os erros fazem parte do processo de aprendizagem e que aquele momento, mais do que uma competição, não passa de uma brincadeira entre amigos.


Apesar de um número considerável de alunos (estima-se que há cerca de 80 matriculados no ano de 2024), a participação dos pequenos no projeto já foi maior. Isso porque, há alguns anos, ônibus fornecidos pela prefeitura eram responsáveis por buscar jovens que não tinham condições de se locomover até o local das atividades.


Sem a possibilidade de transportar crianças que estão em áreas mais distantes do Departamento de Educação Física da Unesp, o Futebol Escola acaba atendendo, em geral,  menores de bairros próximos, como Nicéia e Geisel. Mesmo com um alcance reduzido, mostra sua importância social ao atingir  bairros de caráter periférico que, em muitos casos, não contam com investimentos em esportes.


 
 
 

Comentários


bottom of page